Mais um de meus mirabolantes pensamentos, que às vezes fogem do controle e acabam indo por sí só mais além...
Ela escreve uma carta, sem sentido mas cheia de sentimento, sem um certo destinatário, a menos que destintário seja a pessoa que decidirá seu destino...Fora isso, esta carta não passa de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
"Mesmo que tivesse contado tudo que sentia por ti naquele momento. Não iria adiantar! Nossos desejos se confundem com o que realmente somos. Atração... Derrepente tão forte e ao mesmo tempo tão serena, que engana a minha mente e até mesmo o coração.
E se por acaso eu falasse? E se eu desabafasse esse sentimento que é tão forte e constante dentro de mim. Que às vezes queima por dentro de estar tão guardado e se sentir apertado, doido pra sair e GRITAR por você. Que martela dia e noite no meu peito, como uma obra que foi (temporariamente, espero eu) interditada pelo destino.
Não Posso!
Não devo!
E se nada mudar depois da verdade?!
Ou se tudo mudar?
Não quero imaginar que perderia para sempre alguém que me fez e faz tão feliz ... E às vezes triste por não ter essa felicidade sempre.
Me desculpe, estar revelando agora , do nada, esse segredo tão bem disfarçado em cada sorriso ou em um olhar.
Olhar pedinte, que vai continuar seguindo essa mira que é você.
Até que o pulsar do coração possa bater ainda mais forte por outro alguém."
Evelyn Ramos
E por fim , completo esses momentos de confusão de sentimentos com um trecho do conto "Retorno e terno" de Rubem Alves:
"O que aconteceu naquele instante, ele nunca pôde compreender (pois aquelas palavras eram tudo que ele precisava). E ele se viu solitário e triste, na plataforma vazia da estação, enquanto ela partia...Só lhe restava voltar para casa vazia, onde ninguém o esperava...Como eu já disse: não é a pessoa que amamos; É a cena."